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Um pouco de
história dos Batistas, nossa raiz
denominacional
“Houve um homem
enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio como testemunha, a fim
de dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele. Ele
não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Pois a verdadeira
luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo. Esta ele no
mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o
conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a
todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder
de se tornarem filhos de Deus.” (Jo. 1.6-12)
“Naqueles dias
apareceu João, o Batista, pregando no deserto da Judéia.” (Mt. 3.1)
“Em verdade vos
digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que
João, o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do
que ele.” (Mt. 11.11).
Institucional e
historicamente somos pré-reformistas. Organizacionalmente, a primeira
igreja Batista, como conhecemos hoje, nasceu em Spitafields,
Inglaterra em 1612, com Tomas Helwys, mártir inglês da liberdade de
consciência, no reinado do Tiago 1.º.
Os primeiros
batistas foram perseguidos pelos religiosos europeus e se
transformaram em pioneiros da liberdade na nova nação americana que
ainda não se tinha desapegado do estigma de uma igreja dogmática,
hierárquica, institucional e ligada ao Estado.
Foi Roger Williams
quem fundou a Primeira Igreja Batista em solo americano, em Providence
em 1639. Vale ressaltar que foram os batistas, neste concepção de
liberdade, que influenciaram decisivamente a formação democrática
contemporânea e a própria Constituição dos Estados Unidos, país em que
somos o maior grupo evangélico.
Os batistas
chegaram ao Brasil em 1860, no estado do Rio de Janeiro, mas a
primeira igreja Batista verdadeiramente brasileira só veio a ser
organizada em 15 de outubro de 1882, na cidade de Salvador, Bahia.
Há historiadores
batistas que advogam, um tanto dogmaticamente, que a denominação
“Batista” é diretamente ligada aos primórdios do cristianismo, dos
tempos de João Batista, concordamos que doutrinariamente o somos, pois
pregamos Cristo e o batismo aos arrependidos (Mc 1.4). Documentalmente
entretanto, a origem do termo vem da ênfase dada ao re-batismo por
cristãos genuínos que não aceitavam o batismo de crianças, “pois, para
eles, crianças recém-nascidas não podiam ter consciência de pecado,
regeneração, fé e salvação. Para adotarem essas posições eles estavam
bem fundamentados nos Evangelhos e nos demais livros do Novo
Testamento. A mesma fundamentação tinham todas as outras doutrinas que
professavam. Mas sua exigência de batismo só de convertidos é que mais
chamou a atenção do povo e das autoridades, daí derivando a designação
‘batista’ que muitos supõem ser uma forma simplificada de ‘anabatista’,
‘aquele que batiza de novo’.”
Deus trabalha em
parceria com nossas características humanas (1Co 3.9). A missão que
temos é divina mas somos instrumentos de sua graça (Mt 28.18-20). Nós
somos guiados pelo Espírito (Rm 8.14), temos o Espírito, mas não somos
espírito (Rm 8.9), “Deus é Espírito” (Jo 4.24), os anjos são espíritos
(Hb 1.14; 1Co 4.9; 1Pe 1.12) mas os homens são um complexo de
espírito, corpo e alma (1Ts 5.23).
Os homens e suas
realizações passam por um contexto histórico temporal e isso não é
nenhum demérito à nossa humanidade (1Co 10.11; Tg 5.10). O desafio é
termos uma identidade que possa ser observada pelo Senhor Jesus como
foi a do grande profeta João, o Batista. (Mt 11.11; Jo 10.14; Ap 2.2).
Nos tempos de
perseguição é mais fácil identificar os que são verdadeiramente
comprometidos com os valores do Reino (Hb 11.35-40), mas em tempos de
calmaria o joio cresce com o trigo em grande abundância (1Co 5.11; Mt
13.38; Mt 24.12) e não nos cabe a arriscada tarefa de ceifar e
queima-lo (Mt 25.32), isso pertence ao Senhor (Mt 13.27-30 e 40-43).
Entretanto, devemos firmar nossa identidade Batista, assumir a cada
dia que a nossa missão de testemunho vem do Senhor, pois dEle somos
enviados, e que temos um nome, uma denominação: neste sentido, somos
batistas como João o foi (Jo 1.6).
Mas, era João
Batista um bom discípulo de Jesus?
Não podemos ser só
batistas, temos que ser discípulos!
Divergências
históricas à parte, todos reconhecemos que nossa concepção doutrinária
remonta aos primórdios neotestamentários, nossa maior ênfase, já que
somos totalmente livres de qualquer outra tradição que não a
bíblico-cristã. Assim, podemos fundamentar nossa história, e nossas
características, essenciais, nos seguintes pilares:
1.A Bíblia é a
única regra de fé e prática, pois cremos que ela veio a ser o que é
por influência direta e indireta do próprio Deus;
2.A Graça de Deus manifesta em Jesus é a única forma de
restaurar o propósito de Deus na vida do homem, posto que graça (charis)
é um favor não merecido pelo que recebe;
3.A Fé é o único meio do homem alcançar a graça (charis) de
Deus, pois “sem fé é impossível agradar a Deus” e “Deus é Espírito”;
4.É pessoal a
Responsabilidade de cada homem diante de Deus, já que “cada um dará
conta de si mesmo a Deus”;
5.Todos têm
Liberdade de se expressar e interpretar a Bíblia, Palavra de Deus
inspirada pelo Espírito Santo, já que é a verdade que liberta e esta é
impessoal;
6.A Igreja é uma
Comunidade Apostolar Local de Pactuados com Cristo, regenerados e
biblicamente batizados, com total independência do Estado ou de
qualquer outra instituição, sendo ela o Corpo de Cristo, acima da qual
só existe o próprio Senhor da Igreja;
7.O nosso sistema de governo é a Teocracia Congregacional
que se manifesta através de cada discípulo na Igreja, na compreensão
de que estes trazem em si o Espírito Santo;
8.A nossa Visão é
Missionária, já que o mundo precisa conhecer a verdade do Senhor e o
Senhor da Verdade que liberta e salva eternamente;
9.A nossa relação
com outras igrejas é Cooperativa e Voluntária e tem a finalidade de
cumprir a missão comum de tornar conhecidas as Boas Novas da vida e
vinda do Senhor Jesus, autor e consumador da fé e da história;
É prioridade para
nós a Defesa da Vida e dos Direitos Individuais do homem na
compreensão de que cada um traz em si a imagem e a semelhança do
próprio Deus.
Texto escrito e
publicado no Seminário Teológico Batista do Nordeste em 29/06/99,
revisado em 2007 para nossa nova realidade.
Sobre o autor:
O Ap. Sóstenes
Borges de Sousa, é teólogo e pós-graduado em psicanálise. Pastor da
Primeira Igreja Batista de Periperi e Igreja Batista da Comunidade da
Praia em Salvador, que integram o Ministério Internacional do
Salvador; teve sua formação ministerial nos arraiais batistas, havendo
integrado a Diretoria da Convenção Batista Brasileira e o seu
Conselho; foi Presidente da Ordem dos Pastores Batistas da Cidade de
Salvador, da Associação Batista de Salvador e da Convenção Batista
Baiana, em dois mandatos consecutivos em cada uma das entidades
mencionada. Foi mentor do projeto de fortalecimento do ensino
teológico na Bahia, que foi a semente do reconhecimento pelo MEC dos
cursos do Seminário Teológico Batista do Nordeste. Foi consagrado ao
apostolado internacional em Brasília, pelo Ap. René de Araújo Terra
Nova, em novembro de 2006. É conferencista internacional e tem servido
como discipulador a diversos ministérios no Brasil e na Inglaterra.
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